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04/11/2026
Presentes na literatura, na publicidade e nas conversas cotidianas, os recursos expressivos ampliam os sentidos das palavras e ajudam a comunicar ideias
Uma notícia pode ser descrita como “um balde de água fria”, assim como uma longa espera pode levar alguém a dizer que aguardou “uma eternidade”. Nessas situações, as expressões ultrapassam o significado literal para comunicar frustração ou intensificar a percepção do tempo.
Esses usos exemplificam as figuras de linguagem, recursos que exploram significados, sons e estruturas das frases. Seu reconhecimento contribui para compreender tanto o conteúdo de uma mensagem quanto os efeitos pretendidos por quem a produz.
O que são figuras de linguagem?
Figuras de linguagem são formas de expressão utilizadas para construir imagens, destacar ideias, estabelecer contrastes e produzir efeitos sonoros ou de ritmo.
Embora sejam frequentemente associadas à literatura, também aparecem em anúncios, discursos, títulos e diálogos. Algumas dependem do sentido figurado; outras resultam da repetição de palavras, da omissão de termos ou da combinação de sons.
Na classificação escolar mais comum, são divididas em figuras de palavras, de pensamento, de construção e de som.
Metáfora estabelece uma associação de sentidos
A metáfora aproxima elementos por uma relação de semelhança, sem utilizar uma expressão comparativa explícita.
Exemplo: “Aquela notícia foi um balde de água fria.”
A expressão associa a notícia a uma sensação de choque ou desânimo. O significado decorre dessa relação, sem indicar que alguém tenha sido molhado.
Comparação apresenta a semelhança de forma explícita
A comparação relaciona elementos por meio de palavras ou expressões como “como”, “tal qual” e “assim como”.
Exemplo: “A menina corria como o vento.”
O uso de “como” torna explícita a aproximação entre a velocidade da menina e a do vento. Essa marca distingue a comparação da metáfora.
Metonímia substitui termos relacionados
A metonímia ocorre quando uma palavra substitui outra com a qual mantém uma relação de proximidade. Essa associação pode envolver, por exemplo, o autor e sua obra ou o recipiente e seu conteúdo.
Exemplo: “A turma leu Machado de Assis.”
O nome do escritor representa uma ou mais obras de sua autoria.
Personificação atribui ações humanas a outros elementos
Também chamada de prosopopeia, a personificação confere características ou comportamentos humanos a animais, objetos e elementos abstratos.
Exemplo: “O vento sussurrava pela janela.”
A ação de sussurrar é atribuída ao vento para criar uma imagem expressiva de seu som.
Hipérbole utiliza o exagero
A hipérbole intensifica uma ideia por meio de uma expressão exagerada, que não deve ser interpretada literalmente.
Exemplo: “Já expliquei isso um milhão de vezes.”
A quantidade mencionada enfatiza a repetição e pode expressar impaciência, sem corresponder a uma contagem real.
Eufemismo suaviza uma informação
O eufemismo apresenta de maneira mais branda uma ideia considerada dolorosa, desagradável ou delicada.
Exemplo: “O avô de Clara faleceu.”
O verbo “falecer” comunica a morte de uma pessoa com uma formulação mais suave.
Ironia depende do contexto
Na ironia, o sentido pretendido contrasta com o significado aparente da expressão. Para identificá-la, é necessário considerar a situação em que a fala ou o texto foi produzido.
Exemplo: diante de uma sala desorganizada, alguém comenta: “Que organização impecável!”
O elogio aparente funciona como uma crítica à desordem.
Antítese aproxima ideias opostas
A antítese reúne palavras ou ideias de sentidos contrários para destacar um contraste.
Exemplo: “Havia alegria na chegada e tristeza na despedida.”
A oposição entre alegria e tristeza evidencia os sentimentos associados a cada momento.
Paradoxo apresenta uma contradição aparente
O paradoxo combina ideias que parecem incompatíveis, mas que permitem uma interpretação dentro do contexto.
Exemplo: “Aquela ausência estava sempre presente.”
A construção expressa a permanência da lembrança ou dos efeitos da ausência de alguém.
Enquanto a antítese estabelece uma oposição, o paradoxo apresenta uma contradição aparente na própria ideia.
Elipse omite um termo recuperável
A elipse consiste na retirada de uma palavra ou expressão que pode ser identificada pelo contexto.
Exemplo: “Na mochila, apenas dois livros.”
A frase permite recuperar o verbo omitido: “Na mochila, havia apenas dois livros.”
Anáfora reforça ideias pela repetição
A anáfora repete palavras ou expressões no início de frases, orações ou versos sucessivos.
Exemplo: “É preciso estudar. É preciso praticar. É preciso persistir.”
A repetição de “É preciso” estabelece ritmo e reforça as ações apresentadas.
Aliteração explora sons consonantais
A aliteração utiliza a repetição de sons consonantais para produzir um efeito sonoro.
Exemplo: “Bia brincava com belas bolas.”
A recorrência do som de “b” aproxima sonoramente as palavras da frase.
Onomatopeia representa sons
A onomatopeia reproduz ou sugere um som por meio de palavras e expressões.
Exemplo: “O tique-taque do relógio interrompia o silêncio.”
A expressão “tique-taque” representa o som associado ao funcionamento do relógio.
Resumo das principais figuras de linguagem
|
Figura |
Característica principal |
|
Metáfora |
Associação por semelhança sem expressão comparativa explícita |
|
Comparação |
Aproximação marcada por termos como “como” |
|
Metonímia |
Substituição entre termos relacionados |
|
Personificação |
Atribuição de características humanas |
|
Hipérbole |
Exagero expressivo |
|
Eufemismo |
Suavização de uma informação |
|
Ironia |
Contraste entre sentido aparente e pretendido |
|
Antítese |
Aproximação de ideias opostas |
|
Paradoxo |
Contradição aparente |
|
Elipse |
Omissão de termo identificável pelo contexto |
|
Anáfora |
Repetição no início de construções sucessivas |
|
Aliteração |
Repetição de sons consonantais |
|
Onomatopeia |
Representação de sons |
Identificação exige atenção ao efeito produzido
Reconhecer uma figura de linguagem envolve mais do que memorizar definições. A leitura deve considerar o contexto, as relações entre as palavras e o efeito produzido pela construção.
Um trecho pode reunir diferentes recursos expressivos. Na análise, é necessário explicar como cada um contribui para intensificar uma ideia, criar uma imagem, estabelecer um contraste ou conferir ritmo à mensagem.